25 de fev de 2011

Arte é uma coisa, funk é outra.

Esses dias eu estava conversando com um amigo meu a diferença entre sertanejo e música. Bom, eu respeito quem gosta de sertanejo, e não culpo ninguém, afinal, moramos no interior, na cidade do Boi Gordo, é claro que o sertanejo é a música mais valorizada aqui. Mas eu ouvi uma coisa saindo da boca de uma garota de 17 anos que me deixou assustada. Ela disse "Funk é arte para a minha alma". 
Eu desejei do fundo da minha alma que ela estivesse falando do James Brown, mas eu sabia que ela não estava.
Como eu já deixei bem claro, eu, mesmo não gostando de certos tipos de música, eu aceito as diferenças. Afinal, quem cresce ouvindo uma coisa, vai ouvir a vida inteira, mas, mesmo que você cresça ouvindo funk, não deveria ser considerado "arte" para ninguém.
No funk não é preciso tocar violão, ou guitarra, ou bateria, ou baixo, ou gaita, ou saxofone, nada! Não tem nenhum músico alí. Não tem nenhum artista alí. Tanto no sertanejo (o de raiz) e no rock, ou na MPB, ou no samba, há alguém tocando, cantando (e quase sempre, na maior parte das vezes, com uma voz maravilhosa), mas no funk não é preciso saber cantar e ter uma voz bonita. Só é preciso competir com outro"funkeiro" e ver quantas vezes você consegue dizer a palavra "bunda" ou "sexo" em menos de 3 frases. 
Funk não é arte. Funk é sexo explícito numa caixa de som. 
Já ouviram falar que música é reflexo do nível cultural do país? É, acho que isso me faz pensar que estamos realmente na merda. Acho que eu até consigo entender os poetas da segunda geração romântica do Brasil. Os caras eram pessimistas e não viam futuro para o país, achavam que morrer era a melhor solução. Por isso bebiam e fumavam como loucos. Penso que se isso fosse hoje em dia, eles estariam se drogando e cortando os pulsos pra ver se a morte vinha mais rápido, porque se a música reflete a cultura de um país, somos um país de bundas.

PS: acho que agora eu consigo entender porque vem tanto estrangeiro pro Brasil na época do carnaval.



Funk Norte-Americano, James Brown. O pioneiro do funk original (:
Discografia:
Live at the Apollo
In the Jungle Groove
Star Time
20 All-Time Greatest Hits
Get On the Good Foot
The Payback
Hell

Maceo Parker, outro homem do funk original, cantor e saxofonista norte-americano de soul, funk e jazz.
Discografia:
1970 Doing Their Own Thing
1974 Us People
1975 Funky Music Machine
1989 For All the King's Men
1990 Roots Revisited
1991 Mo' Roots
1992 Life on Planet Groove
1993 Southern Exposure
1994 Maceo
1998 Funk Overload
2000 dial: MACEO
2003 Made By Maceo
2005 School's In!
2007 Roots & Grooves

Funkeiro Brasileiro
Discografia:
Fim.

Um comentário:

  1. Gostei do ritmo da sua crítica, me identifiquei. Sou um crítico inveterado, fraco e insuficiente. Mas, acampando aqui na terra do ex-boi gordo, segundo o verso de um filosofo ou poeta, por mim desconhecido, falou assim: “Onde eu via boi, hoje vejo cana”. Isto posto, duvido que a juventude ‘moderna’ de 17 anos, enchergue ou sinta em sua ‘alma’, algum valor emocional em James Brown que com sua arte influenciou até Michael Jackson (se não me falha a memória), ídolo ainda atual de musica pop. Isso é história pra boi dormir.
    Assim como vc, eu não gosto de certos tipos de música, ou melhor, apenas uma: Toque de Alvorada executado, às 6h, pelo corneteiro do QG da FAB em 1958, simplesmente orroroso.
    Lembrando a década de 50, em 1959, quando Fidel atropelou Fulgencio Batista e o espulsou da ilha cubana, ouve uma revolução cultural inigualável. A musica popular caribenha caiu no esquecimento e foi, simplesmente, substituida por obras consideradas clássicas em sua maioria, lá não há analfabetos. Porém, a força da cultura popular, nos anos 90, fez resurgir o mambo atraves do documentário Buena Vista Social Club, que retrata uma legião de velhinhos (como eu), recordando uma casa de dança. Um conhecido cineasta confessou publicamente que quer morrer dançando num cabaré na praça central de Havana.
    O funk me leva à antiguidade remota, onde não existia luz elétrica e todo o aparato que dela provêm. As famílias reunidas contavam casos (entre nós, causos), os poucos que sabiam ler liam textos, cantavam etc, daí a existência dos saraus. O fank é isso, um começo, um discurso coreografado que é admirado por uma próle. Não sei dizer onde isso vai chegar, mas as bundas do Brasil vendem bem. Esteticistas na USA, por catálogo, oferecem as bundas mais lindas do mundo, claro, de modelos brasileiros. Será um reflexo tecnologico? Que merda!

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